"As cores são minha obsessão, meu divertimento e meu tormento de todos os dias" (Monet)

06/10/2013

A transparência do vidro





Primeiramente, saudades! Há quanto tempo não postava aqui no blog (os motivos são os mesmos: falta de tempo/preguiça... preguiça/falta de tempo... e outras cozitas más).

O importante é que sempre volto cheeeeeeia de amor pra dar, mas eu sei, vcs querem é falar de arte, né?... Então, chega de papo furado e vamos ao que interessa.

Outro dia recebi um e-mail de uma leitora me pedindo instruções de como pintar vidro – transparência.  Disse-me que tinha consultado (consultar é ótimo, parece coisa de pai de santo rá.rá) uma dessas revistinhas de pintura em tela, e lá mandava pintar tudo com a mesma cor do fundo e depois contornar com branco + azul, botar o brilho e belê, tá lindo! Eu pensei nuóoossassinhora que milagre facinho é esse!!!!!!!! E eu aqui rezando, rezando, tsc, tsc, tsc...

Hoje, lembrei-me dessa foto de um estudo antigo, feito num workshop sobre transparência e achei uma boa ideia falar um pouco sobre isso.

Há dois tipos de pessoas que pintam objetos de vidros: aquelas que acham que é moleza pintar e pintam umas coisas fantásticas que mais parecem os fantasmas dos vidros, e aquelas que acham muuuuuito difíceis e nem tentam... Brincadeirinha.

Não digo que seja fácil ou difícil, isso depende do empenho de cada um. Digo apenas que o resultado satisfatório resulta de uma boa observação e algumas regrinhas. E treino. Muito treino e alguns erros antes de chegar o acerto, mas que ele vem, ah, isso vem!

A principal regra é estar ciente de que o vidro, por mais transparente que seja, tem ‘cor própria’, e essa cor depende do fundo, da fonte de luz e das cores ao redor – pois o vidro é fonte refletora.

Quando olhamos para um objeto de vidro, temos a nítida impressão de que suas cores são exatamente as mesmas das que estão por de trás dele, mas não são. Embora as ‘cores de base’ sejam as mesmas, trata-se de cores levemente modificadas. Esse fenômeno ocorre porque a luz tem que atravessar duas ‘paredes’ de vidro e é filtrada por elas. E ainda tem as cores refletidas e a sombra... (a intrometida que não larga do pé da luz).

Meu conselho é sempre reservar um pouco das misturas de tinta usadas para pintar o fundo e os objetos próximos, caso hajam. Pintar o vidro por último, mas não caia no conto do vigário de que deve ‘passar batido’ por ele, fazer todo o fundo, e depois,‘desenhá-lo’ com contornos e colocar o brilho.

Agora que você já sabe de tudo isso, ficará muito mais fácil identificar as reais cores do vidro e conseguir uma transparência de fechar quarteirão!!  hehehe \o/ \o/ \o/ \o/

Porém... (puuutz, há sempre um porém, né...) com vidros coloridos a historinha é outra. Em compensação, com vidros ‘brancos’ quase sempre é fácil atingir o matiz e o tom desejados. Comece ‘queimando’ um pouquinho as misturas reservadas com suas complementares. Exemplo: se a cor de base for o verde (cor que entra em maior quantidade na mistura), queime-a com o vermelho, e assim por diante. Carregue mais nas sombras e nos contornos. Se o fundo for todo branco matizado, como é o caso da foto, simplesmente acrescente mais cores que você usou para matizar o branco.  E não se esqueça da regrinha do brilho: luz fria: branco + azul. Luz quente: branco + amarelo.

Óbvio que você terá que montar a paleta de acordo com o modelo (composição) que pretende retratar, mas poderá manipulá-lo à vontade: encostar numa parede, colocar uma toalha sobre a mesa, etc.

E aí, gostaram? Entenderam? Ou ficaram com raiva de mim?...kkk.  Ok, não precisam responder... rs

Até a próxima, beijinhos borboleta (é primavera...)

Ps envergonhada: desconsiderem o que disse lá em cima sobre falar só um pouco. #tireioatraso!

08/05/2013

Inspiração nossa de cada dia...


(clique)


Pessoas que criam dependem da inspiração, que pode ser traduzida por ‘iluminação’, ‘influxo’, ou ‘lampejo’.

Quando falta a inspiração, sentimo-nos vazios e incapazes de criar. Como escrevi num poema, ficamos na "escuridão, como se estivéssemos habitando na face oculta da lua". Nosso ‘sentir’ parece ter-nos abandonado, e passamos a achar tudo ao nosso redor sem graça nenhuma. Insignificante demais para merecer mais do que um simples olhar, quanto mais retratar numa pintura.

Todo artista, principiante ou maduro, já passou por isso pelo menos uma vez na vida. Eu mesma, por várias vezes, tive a sensação que já havia pintado tudo que valia a pena pintar: o resto não me interessava. Isso é perfeitamente normal e já me habituei com esses ‘buracos na alma’ porque sei que passa.

Por esse motivo, incentivava meus alunos a não desistirem quando a inspiração fugia. Costumava brincar dizendo que as férias dela era bem curtinha e que em poucos dias, estaria de volta. Formulava frases e escrevia na lousa do ateliê como lembretes. Uma delas é a que está na coluna lateral desse blog: “Se um dia lhes faltarem a inspiração, pinte seus sapatos... todo mundo tem um”.

Um dia uma aluna novata chegou para aula e me disse: ‘Ontem segui seu conselho e pintei meus sapatos. Eram brancos e eu pintei de preto. Ficou uma merda’. rs

Levou alguns minutos para eu conter o riso de todos – inclusive o meu. Depois, lhe expliquei o que eu quis dizer com essa frase: não era para ela pintar literalmente seus sapatos, e sim usá-los como modelo.

Formulei essa frase como uma metáfora para dizer que TUUUUDO que está ao nosso redor pode nos servir de modelo. Até aquilo que juramos que não serve, pode ser um ótimo pretexto para pintar. Gosto de citar Van Gogh que pintou um caranguejo antes de cozinhá-lo. O que caracteriza uma boa pintura não é o modelo, é tudo aquilo que já disse no post anterior. Quando não conseguimos ‘ver’ isso é que pensamos estar sem inspiração... Portanto, xô falta de inspiração!!! Você é um fantasma!!!

 A Negra - Tarsila do Amaral

A inspiração pode vir de várias formas: pelo olhar, sentir, imaginar e até pelo ouvir! Isso mesmo, podemos nos inspirar em algo que ouvimos. Essa bela obra de Tarsila do Amaral nasceu de uma história que ela ouviu quando era menina na fazenda cafeína de seu pai. Certa mulher, descendente de escravos e empregada agrícola da fazenda, lhe contou que as negras escravas costumavam amarrar pedras pesadas aos seios para alongá-los ao máximo. Assim, os seios alcançavam os filhos que eram amarrados nas costas enquanto elas trabalhavam na lavoura.

Por esse motivo, Tarsila retratou apenas um seio: foi a maneira que encontrou de chamar a atenção para esse detalhe do seio longo, que enfatiza sua fonte de inspiração.

Acho essa história de uma beleza extraordinária!! Tarsila do Amaral retratou coisas simples numa linguagem pictórica ingênua, quase infantil. Era uma mulher de extrema sensibilidade que soube explorar seu potencial no ver, no sentir e no ouvir. Ela não precisou buscar por coisas fora do comum para pintar. Pintou o corriqueiro, mas interessante. Ela, por si só, já é fonte de inspiração para todos nós.

14/04/2013

Interpretar com simplicidade



(clique)

Seja qual for o tema podemos interpretá-lo com simplicidade, focando-nos apenas no que é essencial: cor, tom e direcionamento das pinceladas. Naturalmente isso não é regra absoluta, pois, embora seja a pintura uma  criação, é também o poder de interpretar a realidade e cada pintor possui a sua maneira.

O que quero dizer é que sua pintura não será menos valorizada se você omitir detalhes que pouco ou nada representam ao todo. É verdade que existem estilos que são valorizados justamente pela riqueza de detalhes, como o Barroco e o Flamengo com influência do estilo Romântico, por exemplo. Artistas da atualidade que seguem esses estilos costumam retratar até insetos e gotas d’água nos florais.

Alguns principiantes acham que ao retratar cenas ‘vivas’, devem pintar tudo que seus olhos veem. Costumam associar isso a um bom trabalho, o que efetivamente não é. O que caracteriza uma boa pintura não é o tema, nem a técnica e muito menos a fidelidade. O que caracteriza uma boa pintura é a sua linguagem, ou seja, a maneira como será ‘apresentada’ ao observador: suas linhas de composição, o equilíbrio das cores ‘escultóricas’, ou, bruscamente contrastadas nos valores cromáticos e etc. Uma pintura pode ser considerada boa justamente por ter seu foco maior na ausência de elementos, e ainda assim, transmitir uma mensagem. Enfim, podemos apreciar uma pintura da mesma forma que apreciamos os sons de uma musica sem precisar ver os instrumentos. Pense nisso antes de julgar uma pintura feia ou bonita, perfeita ou imperfeita.


Por experiência afirmo que retratar sumariamente apenas o essencial é mais difícil do que copiar fielmente uma cena, ou um tema montado. Nossa tendência a focarmos nos detalhes é grande, e decidir o que entra e o que fica de fora de uma pintura exige conhecimento e muito treino. Mas isso não é impossível, como digo sempre. Vale a pena investir nisso para que sua pintura ganhe uma aparência madura, livre do estigma de amadorismo.  

Para encerrar, dou algumas dicas para quem aprecia essa maneira de pintar:

1- Comece retratando uma paisagem ou uma cena urbana, ao vivo. Pode ser a vista da sua janela. (em outra postagem vou ensinar como construir um ‘visor’ que o auxiliará a isolar a cena a ser pintada buscando um enquadramento perfeito).
2- Faça um esboço simplificado, apenas dos itens que mais se destacam, e/ou dos que mais lhe chamou a atenção. Ou seja, faça uma avaliação cuidadosa dos ítens que fará a pintura 'funcionar'.
3- Na hora de pintar, olhe para cena com os olhos semicerrados e procure captar apenas os valores tonais  (luz, sombra e meio tons).
4- Pinte ‘em blocos’ de cores com pinceladas largas, definidas e isoladas. Analise a direção.
5- Nos retoques finais, refine as formas e os tons com pinceladas sobrepostas, mas sem exageros. Cuidado para não alisar demais.
6- Resista à tentação de pintar todos os gravetos, cada folha seca no chão, cada florzinha silvestre, cada passarinho, cada inseto, todos os transeuntes, todos os carros, todos os postes, cada bituca de cigarro no chão, etcétera e tal...rs.
7- (x) Relevem a gracinha sem graça hihihi... Tava indo tão bem, mas não resisti à tentação...


 


  

22/02/2013

Mistura de cores



 Festa das Gaivotas
(Amarelo de Cádmio, Vermelho de Cádmio, Alizarim, Azul Ftalocianina, branco e preto)


Em primeiro lugar, peço desculpas aos meus queridos leitores pela demora em postar. Nem vou mais me justificar para não parecer desculpa esfarrapada... rs

Bem, o assunto é o seguinte:

Tenho recebido inúmeros e-mails de leitores querendo saber sobre mistura de cores. Todos me pedem que eu indique a quantidade exata de tinta a ser adicionada à outra. Coisa difícil de descrever, pois a quantidade de tinta usada numa mistura depende da quantidade de tinta a ser preparada.... (Aff, tão óbvio isso que escrevi, né...). Mas vamos lá, vou tentar melhorar o negócio...

Eu, por exemplo, só pinto telas grandes e preparo muita tinta. Logo, a minha quantidade não serve como medida para quem pinta telas pequenas. Porém, posso dar algumas dicas para não errar na hora de preparar a mistura.

‘Errar’ aqui significa perder o controle da cor e do tom (principalmente do tom) e acabar produzindo uma cor indefinida, sem identidade, o que chamamos vulgarmente de ‘Lama’.

O primeiro conselho é tentar não usar mais que 3 cores na mistura + o branco. Começar SEMPRE com a ‘cor local’, ou seja, se o que você quer é um azul assim ou assado, comece com ele e vá acrescentando outras cores, que no final você terá um azul modificado e a seu gosto...

Ok, esse exemplo não ficou assimmm uma Brastemp, então vamos a outro mais prático:

Suponhamos que você queira pintar uma laranja. A cor local da laranja é o amarelo: comece com ele e vá acrescentando, aos pouquinhos, as outras cores que irão proporcionar sombra e luz. Lembre-se que às vezes basta um ‘pinguinho’ de tinta para matizar um montante de cor.

Trabalhe com uma paleta reduzida, pois assim, você terá que 'se virar' com o que tem e acabará aprendendo a fazer misturas. A paleta reduzida também confere 'unidade' à pintura deixando-a mais harmoniosa. 

Até aqui falei de cores com 'identidade', mas para os cinzas e as neutras (aquelas cores que não são tão óbvias, mas que vemos a nossa volta), o esquema é outro.

Para se preparar uma cor neutra quase sempre devemos adiciona à mistura a mesma quantidade de todas as cores.

Veja bem, eu disse quase sempre, pois você poderá precisar de um cinza avermelhado, esverdeado, amarelado, etc... Nesses casos, a cor predominante deve entrar na mistura em maior quantidade... (Poxa, que descoberta a minha!... rs)

Ainda hoje existem pessoas que acham que para se conseguir um cinza neutro basta misturar preto com branco. Faça isso e você terá um cinza tão desastroso que é capaz de arruinar qualquer pintura!

Na verdade, se você juntar um par de cores complementares em partes iguais (Ex. vermelho e verde) terá um cinza neutro. Simples, não?... Mas muuuuito sem graça, sem charme, sem 'vida'.

Preparo os meus cinzas com azul, vermelho, amarelo e branco. Embora existam outras opções, essa é a mais interessante em minha opinião. Claro que vario os matizes dessas cores de acordo com o cinza que preciso: quente, frio, claro, escuro...  Exemplificando, algumas vezes uso o Vermelho de Cádmio, noutras  o Carmim. O mesmo acontece com o amarelo e o azul.  

Aclaro os meus cinzas com mais branco. Se quero mantê-los escuros simplesmente elimino o branco, ou diminuo-o.  Para esquentá-lo acrescento mais amarelo, para esfriá-lo mais azul. Em alguns casos matizo o azul com ‘um toque’ de preto antes de ele entrar na mistura. O preto é excelente para colaborar na 'nota fria' das cores do céu e da água em paisagens de dias nublados. Para isso basta um ‘toquesinho’ apenas.

Volto a bater na mesma tecla: faça experiências com todas as misturas possíveis e imaginárias. Pincele-as numa tela pequena, ou mesmo numa folha de papel; anote as cores usadas logo abaixo das pinceladas e use como referência na hora de pintar.

Só mais uma dica: use a ‘sujeirinha’ da sua mistura de cinza pra matizar os brancos que compoem a mesma pintura.

E aí, gostaram?... então até a próxima!...  N ã o o o   t ã o o o o o   p r ó x i m a  assim!!!  rsrs

Bjobjobjo!!!

08/11/2012

Nasceu Rafael!!!... Meu segundo netinho!

LINDOOOO...

FORTE...

SAUDÁVEL!

 Os vovôs corujas na maternidade não poderiam ficar de fora dessa postagem rsrs.
Reparem na cara de exausto do vovô... rsrs

O Primeiro colinho da vovó... Já era de madrugada! Mas valeu a pena cada segundo! A espera foi angustiante, a chegada emocionante... Dias de muita doçura estou vivendo!

*Amigos queridos! Perdoem-me pela ausência. Logo estarei de volta. A blogueira agora não tem tempo pra mais nada! Ser vovó 'fresca' me consome muito tempo... rsrs

Meu carinho.
sg