"As cores são minha obsessão, meu divertimento e meu tormento de todos os dias" (Monet)

11/05/2010

A COMPOSIÇÃO CORRETA DO TEMA


Este estudo é um bom exemplo de composição correta do tema. O ciclista, que é o ponto de interesse, aparece em primeiro plano, pois se destaca de várias maneiras. Para dar equilíbrio à composição, foi deslocado apenas um pouco do centro e situado próximo à uma seção áurea (aqui) que é uma zona forte e de interesse visual.
 

Reparem também nos recursos de técnica e cor: A figura em primeiro plano se apresenta em cores neutras, porém aquecidas com Amarelo Ocre. As figuras do fundo foram simplificadas com ausência de detalhes, e , embora pintadas com a mesma paleta, parecem distantes, pois as cores foram esfriadas com Azul Ultramar.
Importante ressaltar que a ausência de "cenário" reforça a sugestão do tema e do título do quadro: O Ciclista.



ZONAS CRÍTICAS E DE INTERESSE DE UMA TELA:

Toda zona próxima à uma seção áurea é uma zona de interesse ou zona forte. Numa delas deverá estar a figura ou objeto em primeiro plano. Evidentemente que não é necessário colocá-lo exatamente sobre o ponto, mas nas suas proximidades.

Por outro lado, todos os quatros cantos de uma tela nas suas extremidades máximas, são zonas extremamente críticas, que devemos, invariavelmente, subtrair dela todo e qualquer elemento ou detalhe, simplificando cabalmente a composição nessa região. Caso contrário, o observador perceberá logo que há algo incomodando, “puxando” os olhos dele nessa direção, e consequentemente para fora da pintura.

As linhas curvas dirigidas para baixo expressam melancolia. As árvores de galhos muito suspensos são apropriadas a esse tipo de composição. O essencial é que esteja num ponto, ou zona visivelmente mais próxima de um dos lados do que do outro. Uma pintura, às vezes, pode parecer bem feita ao primeiro olhar, porém faltará harmonia se a composição estiver errada e mal resolvida.

Se achar que seu ponto de interesse por algum motivo, não causará nenhum impacto a ponto de atrair os olhos do observador, há um recurso bastante simples para destacá-lo: Coloque elementos-guias que “apontem” para aquela direção.

Exemplo: Se o ponto de interesse for uma árvore, situe-a na seção áurea em um dos lados da tela, depois, pinte no céu uma sequência de nuvens horizontais na zona oposta que conduza os olhos até ela. Você pode também “brincar” com os olhos do observador, fazendo com que eles “passeiem” pela pintura, na horizontal, vertical ou ainda na transversal, produzindo uma série de elementos repetitivos.

Exemplo: Fileiras de árvores ou prédios emergindo para o "ponto de fuga" no horizonte; de telhados entre a vegetação que parecem "escalar" um morro assimetricamente; ziguezagueados de guarda-sóis coloridos numa praia, etc.

Ao planejarmos uma pintura com temas tipo marinha ou paisagem, devemos buscar o enquadramento correto da linha do horizonte, podendo variá-la para parte alta ou parte baixa da tela. Como regra de base e segundo o caráter da pintura, essa linha divisória deverá ser delimitada dentro da tela, na proporção de 2\3 ou 3\5, na parte superior ou inferior. Entretanto, se quisermos passar uma mensagem de 
plenitude, ou imensidão, podemos baixá-la ou suspendê-la ao exagero: isso resultará numa composição intrigante e ao mesmo tempo interessante.

Evite delimitar a linha do horizonte no centro da tela dividindo a pintura ao meio. Composições dessa natureza quase sempre são monótonas e não prende a atenção do observador, que não sabendo para qual das duas partes olhar, acaba por não se fixar em nenhuma delas.

Um motivo, qualquer que seja, poderá ser alterado pelo artista. Para isso, o pintor tem liberdade de expressar-se das maneiras mais diversas, ou extravagante mesmo, 
consoante à exigência da sua imaginação sensorial. É claro que essas expressões, ou exageros deverão estar subordinados às leis do equilíbrio estético. Os detalhes supérfluos e insignificantes devem ser eliminados por meio de constantes simplificações, a fim de que outros detalhes possam ser fortemente acentuados; para isso, a imaginação artística é fértil e ilimitada.

2 comentários:

  1. Amei este espaço, experiências e ensinamentos como artista e arte-educadora... Com certeza contribui de forma significativa como conhecimento aos nossos alunos também.

    Bjim

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