"As cores são minha obsessão, meu divertimento e meu tormento de todos os dias" (Monet)

14/05/2010

LUZ E SOMBRA




A pintura é o resultado do jogo de luz e sombra. Se esses dois fatores forem bem utilizados, obter-se-á excelente resultado. Podemos até mesmo iniciar uma pintura pela projeção da sombra, assim, o objeto pintado parecerá o mais real possível sobre a tela.

É com a luz e sombra que também se obtém a dimensão. Torna-se irreal uma pintura totalmente no mesmo plano, é monótona, não atrai o interesse do observador. Quando desejamos um resultado mais empolgante ou até mesmo dramático numa pintura, devemos exagerar no contraste entre luz e sombra.

Embora na teoria, deve-se pintar do claro para o escuro, quando queremos acentuar um ponto iluminado em determinada região da pintura, devemos sempre iniciar pela sombra; só assim saberemos se nossa luz parecerá apagada ou brilhante em relação à sombra. Se sua pintura parecer "mortiça" e sem "vida", antes de retocar a luz, aprofunde a sombra: talvez seja isso que está faltando. Em quase todos os casos, é a sombra que "exaltará" a luz.

Ao retratar cenas naturais (não cópias), devemos estudar com atenção em que direção incide a luz e para que lado projeta-se a sombra. Mesmo quando estamos criando cenas imaginárias, devemos decidir logo, antes mesmo do esboço, em que direção imaginaremos que a luz entrará para também definirmos a sombra.

SOMBRA: Não existe sombra sem luz; portanto a introdução da sombra numa pintura implica a presença da luz. A sombra sugere espaço, indica a relação entre um objeto e outro e também define a localização dos objetos em relação a fonte de luz. Sem a presença da sombra, qualquer elemento dentro da pintura parecerá flutuar dentro da tela. Por isso dizemos “colocar um peso” em tal objeto quando pintamos a sombra projetada dele.

A gradação tonal da sombra muito dependerá da fonte de luz. Se a luz for do sol ou elétrica, resultará numa sombra de cor quente e vibrante. Se a luz for do céu num dia sem sol, resultará numa sombra de cor fria e apagada. A questão é simples: luz quente produz sombra quente, luz fria, sombra fria. Principiantes costumam pensar erroneamente que podem resolver a questão da sombra colocando manchas marrons ou pretas escuras próximas ao objeto. No entanto, isso resultará numa pintura “pesada” e pouco vívida. As sombras não são neutras e sem brilho, na verdade, elas contem uma boa quantidade de cores sutis e vale a pena estudá-las e recriá-las nas suas pinturas; elas podem e devem ter matizes interessantes mesmo sendo escuras e semi-abstratas. Experimente pintar um objeto com matizes dos avermelhados e projete sua sombra em verde; notará quão interessante ficará. Naturalmente o matiz da sombra muito depende da superfície em que está projetada; se for uma superfície clara reagirá diferentemente de uma projetada em superfície escura.

HÁ DOIS TIPOS DE SOMBRA:

Sombra própria: É aquela que incide no próprio objeto (Ex. um lado escuro e outro claro)
Sombra projetada: É aquela que se projeta sobre uma superfície (no chão, em cima de uma mesa, na parede etc.).

LUZ: Embora se considere a luz como fator único, na realidade existem muitos tipos de luzes, cada uma com sua característica própria e um efeito diferente sobre a forma como vemos os objetos. Experimente observar a luz nas diversas horas do dia e nas várias épocas do ano, para perceber como o ângulo e a intensidade dos raios solares se modificam. Observe, também, como luzes artificiais (luz elétrica, luz de vela, etc.) incide nos objetos que estão próximos ou distante dela.

Como regra geral, uma luz fraca, ou distante do objeto, produz sombras de formas menos definidas. Para os principiantes, o melhor é definir a habilidade usando apenas uma fonte de luz, de intensidade realmente forte. (fonte de luz múltipla, de uma janela junto com uma lâmpada acesa, por exemplo, cria sombras complexas demais). Faça da luz a personagem principal de sua pintura e tire o máximo de proveito dela reproduzindo pontos iluminados com empaste, ou seja, tinta bem espessa.

Devemos sempre nos lembrar, que a luz reage de maneira diferente em cada superfície dos objetos. Algumas superfícies refletem mais luz, outras menos. Exemplo: A luz que incide num vaso de cerâmica ilumina-o, ao passo que a mesma luz que incide num vaso de porcelana, por possuir uma superfície mais lisa, além de iluminá-lo, produz brilho. Devemos retratar esse fenômeno em nossas pinturas.

Chamamos de Brilho o ponto exato em que a luz bate numa superfície e reflete.

Nunca tente reproduzir o brilho com pontos de tinta branca sobre a pintura, sobretudo quando esta estiver completamente seca. Lembre-se que a luz refletida tem cor e a tinta branca deve ser matizada com um toque de tinta de outra cor antes de ser aplicada. Se a fonte de luz vem do sol, ou de uma lâmpada amarela, matize o branco do brilho com um 'toquezinho' apenas de amarelo. Se for do céu, de uma janela, ou de uma luz branca, substitua pelo azul.

Um lembrete: A sombra sempre deve ser retratada com a tinta relativamente rala, diluída com solventes. Ao passo que a luz deve ser retratada com tinta espessa, com pouco ou nenhum solvente produzindo o efeito de empaste.


5 comentários:

  1. Gostei também. Dá idéia da importância das sombras na pintura. Grata.

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  2. Gostei muito das dicas, estou pintando quadros e tenho certa dificuldade com o jogo de luz e sombra. Me ajudou bastante, um abraço.

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  3. como e bom, suas informações. Estou usando a pintura como terapia, e como me faz bem. A sua pagina já esta no meu favorito. Voçe ganhou a minha adimiraçao, por sua boa vontade de passar as informações. grande abraço. Emidia Maria.

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