"As cores são minha obsessão, meu divertimento e meu tormento de todos os dias" (Monet)

24/05/2010

Minha Alma Passarinha

Além da beleza e da fragilidade, o beija-flor para mim sempre foi símbolo de elegância e equilíbrio. Adoro vê-lo plainando no ar.

Viver em meio à natureza, andar descalça na terra é tudo que eu sempre desejei para minha vida. E foi buscando por qualidade de vida, que eu e meu marido decidimos morar em um condomínio em meio a uma reserva de mata atlântica.

Ainda me lembro daquele sábado quando vi na TV o lançamento de um condomínio fechado cercado de mata. Eu pensei: é neste lugar que eu quero morar!

No domingo bem cedo rumamos até o local para comprar nosso pedacinho do paraíso.

Mas, aquele lugar tinha muito mais a nos oferecer do que nossos olhos podiam ver. Descobrimos isso logo que começamos a construir a nossa casa: tínhamos vizinhos mais do que especiais, e eu fui logo pensando numa maneira de fazer amizade com eles.

Era banana aos macacos, ovos aos lagartos, quirela aos nhambus, milho aos jacus, nozes aos esquilos... e, em pouco tempo, eles já comiam na minha mão.

Eu até mesmo tenho uma família inteira de gambás morando no meu barrilete!... Descobri que eles só cheiram mau quando se sentem ameaçados; é um tipo de defesa. É claro que não resisto e, de vez em quando, subo lá para dar uma espiadela. Tudo com muito cuidado, pois a mamãe gambá é muito agressiva, mesmo trazendo os filhotes bem protegidos dentro da sua bolsa.

Admito que essas minhas aventuras selvagens já me colocou em situações de risco: já pisei em uma cobra, e uma aranha venenosa me rendeu uma semana no Hospital Vital Brasil. Tudo porque entrei na mata para tentar fazer amizade com um coelho selvagem, lindo, que me espiava de longe todas as manhãs.

Mais o episódio mais emocionante aconteceu logo no primeiro mês que nos mudamos. Eu havia colocado bebedouros dependurados na minha varanda para que viessem os beija-flores. E eles vieram. Aos montes. Eu posicionei meu cavalete de maneira que pudesse avistá-los enquanto pintava.

Com o passar dos dias, notei que os bebedouros amanheciam vazios apesar de sempre restar muita água no final da tarde, quando eles iam embora. Resolvi investigar sorrateiramente durante a noite. Foi então que eu vi aquelas dezenas, centenas, talvez, de criaturinhas aladas brigando pela sua vez no bebedouro!

Quando eu era criança ouvia histórias horrendas sobre os morcegos, mas não me lembrei delas naquele momento. Só conseguia pensar em como a beleza da vida pode estar nas coisas mais simples e inesperadas.

Atualmente eles já não se importam com a minha presença. Sempre quando vou até lá me certificar se há água suficiente para todos, eles me presenteiam com uma revoada ao meu redor. Eu entendo como um ritual de agradecimento pela água.

Hoje, os beija-flores enfeitam os meus dias, e com os morcegos eu divido as minhas noites.



8 comentários:

  1. rsrsrs, encantadora tua crônica! Acho que eu não sairia, jamais, de um lugar assim, onde há paz, onde há confiança, onde se manifestam os sentimentos mais puros; não estou falando no ser humano... estou falando dos beija-flores, do coelho, dos esquilos, dos macaquinhos... Só não faz muito minha cabeça as cobras e aranhas. E de um morceguinho, também não sou muito chegada. Mas, convives com a natureza, e isto deve te trazer muita paz.

    Bela narrativa, Sueli; estes são bons vizinhos, rsrs. E a pintura está linda!!!

    Beijão, amiga!
    Tais Luso

    ResponderExcluir
  2. Muito bom seu blog e sua arte voltarei a passear por aqui!

    ResponderExcluir
  3. Além do teu blog ser lindo, escreves muito bem.Também gosto deles, os beija-flores e as cores!beijos,tudo de bom,chica

    ResponderExcluir
  4. Oi Sueli!!
    Que lindo seu trabalho! Suas pinturas são maravilhosas!
    Ah, como eu gostaria de morar em um lugar assim viu.. para admirar a natureza e poder estar tão perto desses animais lindos. Adoro pássaros, mas o apartamento que moro é tão alto que eles não veem até aqui... uma pena viu.. sinto falta.
    Minha avó que costumava colocar bebedouro de água para os beija-flores. E era tão comum ver deles em quintais né? E naquela época, sem saber do mal que faziam, ainda colocavam açúcar na água...
    Grande beijo...

    ResponderExcluir
  5. Para Aline:
    Amiga, obrigaga pelo seu comentário... Tive uma GRANDE idéia, acho que poderiámos trocar de moradia...rsss
    Eu e o Maridex estamos tentando voltar a morar em apartamento... a casa ficou mto grande depois que "nossos pássarinhos biológicos" bateram asas e voaram... Mas a vida é assim mesmo, tudo se modifica e se transforma e temos que nos conformar.
    A propósito e só para constar (rsss) NÃO PONHO AÇUCAR nos bebedouros dos beija-flores... por isso mesmo, eles continuam bem VIVOS e saudáveis a me visitar...
    Bjo Gde Amiga!

    ResponderExcluir
  6. Ahh!!! Por mim, toparia na hora essa troca..rs.. AMO natureza!
    Quero no futuro morar em um lugar assim, calmo, e "natural"
    =)
    Beijoss

    ResponderExcluir
  7. Sueli...
    Que coisa fantástica. Fiquei aqui lendo cada frase e imaginando o quanto deve ser bom viver num lugar como esse.
    Que bom que vocês, em família, conseguiram ajustar as coisas para sair da agitação e ir para um lugar assim; em contato direto com a natureza, a mata, os bichos.
    Sempre soube que fomos feitos para viver assim...
    Eu atualmente moro perto de uma refinaria de petróleo. A qualidade do ar e a qualidade de vida empatam. Ou seja, não são muito boas. Emissão de gases, metais coroendo, cheiro de gas, renite atacando.
    Então quando vou para o interior e fico mais perto das naturezas intocadas e inspiro ar puro nos pulmões, me dá uma vontade enorme de sair de onde estou e me mudar para um lugar como esse em que tu vives.
    Fiquei feliz por ti.
    No meu caso isso é ainda um pouco difícil. Depende daqueles papeis que nunca param na carteira e nem na conta bancária. rsrrrsrsrsr

    ResponderExcluir
  8. Não sei se o comentário chegou a ir... Estava digitando aqui a minha URL quando tudo sumiu. Espero que tenha ido.

    ResponderExcluir

Tua visita me deixa muito feliz e o teu comentário é importante para o meu aprimoramento. Aceito sugestões, críticas construtivas e elogios, naturalmente, que não sou boba, né... rs. Só não aceito e nem vou publicar comentários anônimos com gracinhas sem graça e ofensas de gente desocupada. Aos anônimos peço que assinem, por favor.

A todos meus agradecimentos e meu carinho!

Sueli Gallacci