"As cores são minha obsessão, meu divertimento e meu tormento de todos os dias" (Monet)

14/05/2010

O ARRANJO DO MOTIVO COMPOSTO


A composição é essencial para um resultado satisfatório. Mesmo que as partes individuais do quadro estejam bem resolvidas, se forem distribuídas inadequadamente comprometerão o efeito final e o interesse se dispersará.

Fazer uma boa composição significa selecionar com cuidado os elementos que integrarão o quadro e dispô-los de maneira harmoniosa. Embora com a experiência esse processo se torne automático, o conhecimento das regras básicas vai ajudá-lo a compor corretamente desde o inicio. Evidentemente você irá querer desobedecer as regras de composição algum dia. Afinal, todos os grandes mestres da pintura fizeram isso em algum momento, mas para rompê-las, é preciso primeiro conhecê-las. Não despreze as regras por enquanto, pelo menos até seu senso de composição estiver desenvolvido. Com o tempo você saberá o que faz um quadro “funcionar”.

Ao combinar um conjunto de elementos para elaboração de uma pintura, corre-se freqüentemente o risco de agrupá-los de maneira desinteressante. Na verdade, mesmo a mais simples coleção de objetos (utensílios domésticos, por exemplo), pode causar forte impacto se eles forem convenientemente agrupados.

Uma primeira recomendação é situar a linha do ângulo de visão bem acima do centro do quadro, colocando os motivos às distancias variáveis dessa linha. Esse tipo de organização espacial dos elementos garante um sentido de profundidade à composição e permite que os olhos do observador se movimentem em torno dos objetos. A sobreposição de motivos em alguns pontos cria espaços interessantes tanto no fundo como no primeiro plano.

Acima de tudo, lembre-se de quebrar a linha do ângulo de visão com alguns ou com todos os objetos, para que eles não fiquem “perdidos” no primeiro plano do quadro.


Analisemos agora a ilustração acima:

*Evite fileiras (figura A): A disposição de objetos em fileiras sobre a linha ao nível do olho torna a composição monótona. Na figura B eles são trazidos para frente, interrompendo essa linha e dando mais unidade a composição. A sobreposição de duas formas contrastantes também acrescenta interesse e imprime tridimensionalidade a composição.

*Varie a escala (figura C): Essa disposição enquadra-se nas regras da composição, mas a equivalência de tamanho dos objetos e suas colocações em planos próximos subtraem o interesse. A figura D apresenta uma solução melhor: elevou-se a linha do nível do olho e um dos objetos aparece em escala reduzida, conduzindo o olhar mais para o fundo do quadro.

*Dê unidade ao tema: se o tema for uma coleção de objetos, eles devem estar bem relacionados entre si. Alem disso, os espaços do fundo devem complementar adequadamente o conjunto. Na figura E nada disso ocorre e os objetos também parecem “perdidos”. Na figura F os objetos estão bem relacionados, o que lhes dá maior projeção.

*As linhas corretas: um quadro fica mais interessante quando seu tema pode ser abordado visualmente de diversas maneiras. A figura G além de bons contrastes de texturas e padrões (vidro, tecido, fruta e pão), apresenta uma linha de nível de olho curva, de efeito intrigante. Na figura H, o canto ao fundo dá a impressão de que o tema pode ser visto tanto de cima como de ambos os lados.

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