"As cores são minha obsessão, meu divertimento e meu tormento de todos os dias" (Monet)

11/05/10

Equadramento e perspectiva do tema

Esta pintura traz um exemplo correto do arranjo dos três principais planos que compõem uma composição. Notem a figura em primeiro plano: Mais detalhada e próxima à uma seção áurea. (deslocada do centro). A medida que a pintura "avança" para o fundo, as cores vão se tornando esmaecidas, mais frias e acinzentadas pelo acréscimo do azul e do branco.


NOÇÕES BÁSICAS:


Enquadramento: é o ângulo em que você “apanha” a cena. Ele pode abranger uma grande área (como um vale e uma montanha ao fundo, por exemplo) ou uma pequena área (apenas o canto de uma mesa com um vaso de flores).A perspectiva é dividida em três partes:

Primeiro plano: Analisando de baixo para cima, é aquele plano que parece estar mais próximo do observador (extremidade inferior da tela). Deve ser mais nítido e detalhado. Nessa fase podemos trabalhar todos os detalhes e usarmos cores mais quentes.
Plano intermediário: Situa-se à meia distância, mais ou menos no meio da tela. Nessa fase os detalhes irão desaparecendo aos poucos e as cores vão se tornando mais frias e com mais misturas.

Plano de fundo: É o último plano (extremidade superior da tela). Deve ser trabalhado com cores neutras de efeito atmosférico e elimina-se todo e qualquer detalhe (perspectiva aérea).

Obs: O único elemento que podemos pintá-lo com cores quentes, mesmo estando no plano de fundo, é o sol. Isto ocorre, porque nós sabemos que ele está longe e nosso cérebro prontamente o reconhece como tal.

As leis da perspectiva são muito importantes para tornar uma cena real, por isso devemos respeitá-las. Sem ela, a pintura torna-se “chapada” como se você tivesse recortado uma figura e colado à tela. Certos fatores havemos sempre de ter em mente e até mesmo decorá-los, são eles:

Luz e sombra: É o que dá volume e tridimensionalidade aos objetos.
Cores quentes: Aproximam as imagens.
Cores frias: Distanciam as imagens.

Cores neutras: Dão profundidade ao serem usadas no plano de fundo.

Linha do horizonte: É a linha onde o céu e a terra parecem se encontrar. Numa cena ao ar livre, é necessário “desvendar” a linha do horizonte mesmo que você não deseja retratá-la. Ela sempre estará ao nível de seus olhos (olhos de minhoca), não importa se esteja sentado ou em pé, ela o acompanhará. Se abaixar, ela também abaixará, se levantar, ela também levantará. Se não for possível avistá-la pela presença de montanhas ou depressões, experimente este exercício: Segure um lápis horizontalmente na altura dos olhos. Imagine uma linha que prolonga ambas as extremidades do lápis: Essa linha corresponde ao horizonte.

No desenho abaixo o traço horizontal representa a linha do horizonte. A sigla "PF" refere-se ao "ponto de fuga".


Ponto de fuga: Ponto imaginário no horizonte, para onde as linhas paralelas parecem convergir vistas em perspectiva. Ex: Olhando para uma construção de modo a ver uma de suas laterais, sem perder de vista sua fachada, os prolongamentos das linhas que delimitam o prédio parecerão se aproximar conforme aumenta a distância. Esta é a perspectiva com ponto de fuga.
Os trilhos de trem, vistos de frente, parecem convergir para um ponto no horizonte. Assim como também uma rua em linha reta.

Proporções: É a relação do tamanho de uma parte do motivo à outra parte. Objetos ao fundo, sempre parecerão menores em relação aos que estão no primeiro plano. Uma dica é escolher um elemento qualquer e ir traçando o esboço com relatividade, ou seja, usá-lo como referencia de medida para estabelecer todos os outros componentes na tela.

Reparem no desenho abaixo o tamanho do copo em cima da mesa em relação à garrafa na prateleira ao fundo.
Elipses: É o efeito conhecido como perspectiva esférica, importantíssimo para que você consiga dar um sentido de profundidade e realidade às formas esféricas.


Exercício: Segure um copo com o braço esticado, ao nível dos olhos. Ele lhe parecerá plano e sem volume; a única impressão de forma arredondada será dada pelo modo como a luz incide na superfície de seus lados. Em seguida, abaixe-o um pouco, mantendo o braço esticado, e note como seus extremos, superiores e inferiores, formam elipses (círculos achatados). Olhe mais de perto e perceberá a elipse de cima mais estreita que a de baixo. Vá abaixando mais ainda o copo sem alterar a distância até seus olhos. Note que as duas elipses vão se tornando cada vez mais arredondadas, embora a superior continue mais estreita do que a outra. O extremo superior e inferior do copo só lhe parecerão círculos perfeitos quando você olhar diretamente de cima; de qualquer outro ponto, serão sempre elípticos.



Alguns temas disponíveis para pintar:

Marinha
(oceano, praias, veleiros, jang
adas, etc.).
Natureza Morta (frutas, flores, objetos, etc.).
Casario (casas, prédios, vilas, etc.).
Interiores
(figuras humanas no aconchego do lar, ou executando trabalhos domésticos, ou apenas o próprio ambiente vazio).

Cenas do cotidiano (Pessoas num bar ou feira livre, na praia com seus guarda-sóis colorido, crianças brincando na rua, etc.)
Cenas urbanas (Cidades e ruas movimentadas, praças públicas, trânsito de veículos, monumentos, etc.)
Paisagens
Nus
Além dos abstratos e os belíssimos modernos figurativos

10 comentários:

  1. Sueli, mais didático do que isso é impossível. Nota 10. Já sou sua seguidora.

    bjs
    Tais Luso

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  2. Parabéns, Sueli, pelo seu belo blog; voltarei em outras oportunidades para apreciar suas postagens.

    Abraços,
    Pedro.

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  3. Sou um quase iniciante, se é que existe essa figura, estou apredendo muito com seus comentarios, muito obrigado.

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  4. Sou um quase iniciante, se é que existe essa figura...rs, mas estou aprendendo muito com você, obrigado

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  5. Estou nadando de braçada no seu blog. Encontrei no Google. Vou fazer prova de Percepção Visual na UFMG dia 03.01.2012, e só agora estou tendo contato com a área. Está sendo de grande valia para mim.Um grande abraço, um feliz e colorido Ano Novo.

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  6. Estou nadando de braçada no seu blog. Encontrei no Google. Vou fazer prova de Percepção Visual na UFMG dia 03.01.2012, e só agora estou tendo contato com a área. Está sendo de grande valia para mim.Um grande abraço, um feliz e colorido Ano Novo.

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  7. Oi Sueli,
    Muito bem explicado.
    Sempre que pinto uma paisagem e tento fazer uma casinha de campo, acabo desistindo, não porque não saiba desenhar uma casinha mas por não saber como situá-la na composição da tela , por causa da tal perspectiva, ontem mesmo, tentei várias vezes e não consegui. Como você já sabe eu nunca estudei desenho ou pintura o que faço e por minha conta, e adoro criar minhas próprias paisagens mas sei tem coisas que não podem fugir das regras. Porém mesmo quando tento copiar alguma paisagem a olho nu, se tiver uma casinha com telhado colonial eu não consigo, ontem mesmo fiquei horas, tentando. Risquei a tela toda acabei fazendo um abstrato, de tanta raiva que fiquei.Agora com a sua aula com esta casinha eu entendi um pouco mais.
    Uma outra coisa que raramente faço como já disse, copiar, e por isto não sei mesmo. é por escala. também acho complicado. aquela dos quadradinhos não sei a proporção exata, para a ampliação. Bem mas estou lendo sobre isto, se você. puder me dá alguma dica fico agradecida.Acho que sou ruim de matemática também,mas olha não quero tirar o seu sossego, pedi uma dica e você fique ´`a vontade para querer fazê-la ou não. Não quero te incomodar .
    Bjs. obrigada por esta aula maravilhosa.
    Gosto muito da sua pintura, seus escritos, nem preciso dizer você sabe que sou sua fã.
    Bjs.

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    Respostas
    1. Oi Lourdinha!

      Sobre isso que vc escreveu, o melhor caminho é começar tentando representar cenas ‘ao vivo’, ou copiar de fotografias, até que seu senso de composição esteja mais bem desenvolvido. Grandes pintores paisagistas representam paisagens naturais e usam o recurso da fotografia. Óbvio que criar paisagens imaginárias nos dá um prazer indescritível, mas não é a maneira mais fácil de começar.
      Quanto a perspectiva, as dificuldades são mais que normais. Não desista! Estude a perspectiva com ponto de fuga: garanto, não é bicho de 7 cabeças rsrs. Quanto ao desenho, vale tudo, até o bom e velho quadriculado. Sabia que podemos usar o quadriculado até para cenas ao vivo? Vou te passar por e-mail um passo a passo que lhe auxiliará nisso.

      Bjo grande amiga! Torcendo muito por vc! Tbm sou sua fã!

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  8. Ah! Sueli já ia me esquecendo, tenho duas pinturas na última postagem do blog(Se é que posso chamar de pintura), a tinta é acrílica pra tecido, se puder dá uma olhadinha... . bjs. Fico feliz.
    obrigada .

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A todos meus agradecimentos e meu carinho!

Sueli Gallacci