"As cores são minha obsessão, meu divertimento e meu tormento de todos os dias" (Monet)

01/06/2010

Com licença, eu vou errar!

Passamos a maior parte de nossas vidas tentando fazer a coisa certa: a roupa certa para determinada ocasião, a cor da maquiagem, o óculos que combina com o formato do rosto, o sofá da sala que tem que “dialogar” com as cortinas... É uma lista infinita de itens que não tem a menor importância na vida prática, mas que incomoda se erramos. E como incomoda! Todo mundo é assim; ninguém gosta de ser julgado.

ERRO!


Uma palavra que tem muitos sinônimos: engano, falta, incorreção, e até pecado. Mas quero abordar aqui aqueles erros de todo mundo, não os mais graves.

É claro que me refiro às pessoas honestas e de caráter; mas não é muito diferente com pessoas de caráter duvidoso. Um exemplo? Outro dia vi uma reportagem na TV que dizia que um dos maiores falsários que já havia sido preso, se vestia primorosamente bem!... Tipo assim: ele combinava sapatos com o terno, camisa com a gravata e etc... Neste caso ele também se preocupou em fazer a coisa certa: queria impressionar as suas vítimas.

Posso dizer com a maior desenvoltura que a maioria dos meus erros eu cometi num estado de “ansiedade de acertar”.

Desde criança que eu descobri que tenho dificuldade em decorar símbolos (letras, números e outros). No colégio era uma tortura, pois tomei gosto pela leitura e a escrita desde cedo, o que é um fato meio inexplicável, até parece coisa de gente que gosta mesmo de sofrer.

Ficava entusiasmada com as aulas de redação, mas bastava começar a escrever e o suor me banhava... Tinha tanto a dizer, mas as palavras não podiam ter s-c-x-ç-z-g-j-h. Neste caso, eu entrava numa espécie de limo aterrorizante quando não encontrava um sinônimo.

E a vírgula?... onde é que eu boto a maldita vírgula??

E não mudou nada com o avançado da idade acho mesmo que estou bem pior agora. Mas com uma única diferença: psicologicamente falando, sei lidar melhor com isso hoje. Já não me incomoda tanto e faço piada de mim mesma o tempo todo. Também não abandonei o gosto pela leitura e a escrita apesar de ter que ler duas, ou três vezes a mesma frase para uma perfeita compreensão. E Já me habituei a revisar todos os dias os meus textos e corrigir os erros de português.

Graças a Deus que hoje eu tenho o “Santo Word” que corrige tudo automaticamente. Rio muito quando termino de escrever e vejo meu texto todo grifadinho de vermelho...
Mas ainda tem a concordância e a gramática. Quando é “por que” separado e quando é “porque” tudo junto?... é muita informação pra eu decorar!

Muito se fala em dislexia hoje em dia, mas não sei se é o meu caso. Nunca procurei saber e não é agora que eu vou. Já vivi bem mais da metade da minha vida com isso, o resto eu tiro de letra (hahaha, se eu souber a letra).

E quando não sei como se escreve alguma palavra, eu recorro ao Google. Ou ainda pergunto ao maridão quando ele está ao meu lado. Eu até mudei o nome dele para “Aurélio”! hehehe.

Existem, porém, algumas coisas que me chateiam. Números, por exemplo, é algo que definitivamente eu não consigo “registrar”. Levei mais de dois anos para decorar o número da minha casa e agora o condomínio resolveu mudá-lo. Vou levar mais dois anos para conseguir decorá-lo novamente... E olha que são apenas três dígitos!

Número de telefone, então, melhor nem citar...rsrs.

Só estou tentando mostrar que para algumas pessoas, nem sempre é possível fazer tudo certinho. E isso vale para tudo, até na educação dos filhos. Como já disseram, eles não vem com manual de instrução, e na maioria das vezes, a gente conta mesmo é com a intuição.

Ok, há sempre um pouco de egoísmo de nossa parte quando pensamos “ hoooo !!! se acontecer algo de ruim aos meus filhos, eu vou sofrer pra caramba!”... Mas o nosso medo egoísta também os protegem.

É certo que devemos ter o máximo de empenho em fazer a coisa certa com os nossos filhos. Até porque eles vão nos questionar mais cedo ou mais tarde. Meu filho, com 32 anos e já casado, ainda não esqueceu um acampamento que não permiti que ele fosse quando tinha 15 anos... E ainda outro dia me perguntou por que não o deixei fazer uma tatuagem quando tinha 16.
Eu respondi com outra pergunta: “Por que vc não faz agora, já que tem poder de decisão?... Aí, ele me disse: “agora perdeu a graça”
Então arrematei com outra pergunta: “E o que vc faria hoje com uma tatuagem que perdeu a graça?”

Ele não disse nada. Apenas olhou pra mim e sorriu um sorriso maroto.

Eu pensei comigo mesma: Que bom que de vez em quando eu acerto.

7 comentários:

  1. Que beleza.Me vi por aí , ainda mais na parte dos "erros" com os filho e que depois,eles notam que acertamos.,LINDO E LEGAL! Adorei!beijos,tudo de bom,chica

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  2. Adorei; são textos assim que são gostosos de ler: sem frescura, direto e com uma linguagem que usamos todos os dias. Isso é moderno. Que coisa chata ler algo cheio de fru-fru, levando uma página para descrever o que se pode dizer em 3 linhas. Não há santo que aguente.

    Quanto aos filhos...ah, parece que nunca acertamos! Os meus estão criados, o que fizerem não terão mais nada a ver comigo: se acertarem...foi graças a mim! Se errarem, é com eles! rsrs.
    Já notaste como esses 'anjinhos' só cobram o que não fizemos ou o que poderíamos ter feito?
    E quanto aos números... até hoje não sei o número do meu celular!

    Beijão, amiga!
    Tais Luso

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  3. Olá Sueli!
    Gostei muito do texto e a maneira simples como nos fez entender as nossas limitações.
    Hoje os meus filhos também me dão razão em não os ter deixado fazer certas coisas quando eram mais novos. Pelo menos reconhecem que foi para o bem deles e isso para mim já é bom!
    Beijinhos

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  4. Oi Sueli,
    à deriva parei aqui! E que bom pra mim. Amei o seu texto pela simplicidade com que você dialoga com o outro (nós no caso). Me senti também reconfortado por perceber que em geral todos aqueles que amam as letras, as artes, não são lá muito apaixonados por números, este é o meu caso. Gostei do humor que perpassa o teu blog, é tão bom lidar com levessa assuntos sérios e às vezes torturantes. Enfim virei fã. Estarei por aqui.

    Quando quiser sinta-se à vontade para visitar o meu cantinho 'acervo pop'.

    Um abraço e ótimo feriado pra ti,

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  5. Oi, Sueli!

    Estou tentando visitar e conhecer os seguidores do blog'arte! Nooossa!! Trabalho titânico, mas bem legal!!!
    Aproveito pra te convidar pra PROMÔ que tá rolando lá: o SORTEIO DE UM DIFUSOR DE AMBIENTES!!! Passa lá até dia 08/06 pra participar!

    Beijins e bom fim de semana!

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  6. Amiga gostei e me lembrei do Frejat em Amor pra recomeçar "...e com os que erram feio e bastante que você consiga ser tolerante..." Gosto da suas escrivinhações! Muito!

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  7. Sueli,

    Todos esses assuntos que você abordou, desde os problemas com a leitura - a gramática, principalmente -, bem como outros problemas enfrentados nas escolas, como: matemática, física, química e biologia (eu sempre atribui minhas dificuldades nessas áreas aos professores, dizendo que eram incompetentes); depois os filhos, cujos relacionamentos são complicados tanto para eles como para os pais; estes dizem, muitas vezes: se tivesse que começar tudo de novo, não teria filhos, para apoveitar bem minha vida com viagens e outras coisas mais.

    Esses problemas que existem no relacionamento entre pais e filhos nunca serão definitivamente resolvidos: quem teve a experiência como filho e depois as teve como pai ou mãe sabe do que estou falando. Sobre esse tema disse o psicanalista paulista, Flávio Gikovate, no seu livro "Homem, sexo frágil", que gostaria de ver, antes de morrer, uma compreensão entre pais e filhos, como se teem com amigos, mas que jamais verá isso acontecer.

    Parabéns pelo texto, Sueli.

    Abraços,
    Pedro.

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Sueli Gallacci