"As cores são minha obsessão, meu divertimento e meu tormento de todos os dias" (Monet)

12/10/2010

NATUREZA-MORTA


Óleo sobre tela (clique na foto)

Numa natureza-morta o ideal é que seja simples, composta por poucos itens. Isso porque o espaço negativo (que rodeia o tema) é tão importante quanto o positivo (o próprio tema).

Importante também é a escolha dos objetos: naturezas-morta que combinam objetos de textura diferentes como frutas e utensílios, ou flores e frutas, podem ficar bem interessantes e originais.

Na hora de montar o "modelo" procure posições inusitadas como fiz com o vaso verde. Surpreenda o observador com composições que fogem do convencional.

Se a composição estiver bem resolvida, já teremos meio caminho andado. Depois, é pensar no ponto de interesse e ressaltá-lo de alguma maneira: seja na cor, mais quente e vibrante, ou destacando-o no primeiro plano, ou  ambos. Nessa minha composição o ponto de interesse é a maçã: usei e abusei dos tons quentes e posicionei-a numa "seção áurea" para dar maior destaque. Tudo isso deve ser decidido antes do esboço.

Antes de fazer o desenho na tela, faço alguns esboços simples no bloco de desenho para ter uma idéia de harmonia. É nesse momento que subtraio ou acrescento itens, inverto as posições e etc.

Faço o desenho com carvão vegetal de forma leve, sem sujar muito o tecido da tela. Se erro, apago com um pano limpo. Quando estou satisfeita com o desenho, traço tudo com Terra de Siena Natural bem diluída e um pincel redondo de ponta fina.

Ah! importante dizer que não costumo pintar em tela branca. Antes de tudo, cubro a tela toda com um tom médio bem diluído. Para essa natureza-morta usei uma mistura de Terra de Siena Natural + Ocre e um toque de Verde Oliva e branco. Esse fundo prévio tem dois objetivos: primeira função é dar "um clima" para a pintura, uma vez que a tinta de baixo reage quimicamente com as próximas camadas dando aquele "clima" meio envelhecido, próprio de naturezas-morta clássicas. E segunda, eu não tenho que me preocupar em ficar cobrindo cada traminha branca do tecido. Isso inibe a nossa espontaneidade.

Na hora da pintura o meu conselho é não alisar muito na tentativa de desmanchar as marcas do pincel. Deixe suas pinceladas aparecerem para dar movimento à pintura, e ao mesmo tempo, transmitir ao observador uma aparência "fresca" do seu ato de pintar. Lembre-se que uma pintura tem que parecer uma pintura.

Outro conselho: o importante e dar mais atenção as gradações tonais e à temperatura das cores do que no matiz a ser usado, ou nas formas dos objetos propriamente ditas.

Devo exclarecer que a fotografia modifica as cores de uma pintura, e a fotógrafa aqui não é assim uma Brastemp rsrs. Nada nessa pintura é branco absoluto embora pareça branco na foto. Nem o escuro do lado esquerdo do fundo é tão escuro quanto parece.

Eu fico tão atenta em produzir os tons corretos que desatento para o restante. Quando estava pintando essa natureza-morta, meu marido passou por mim e disse: "a boca do vaso verde está torta". Eu respondi: "acha mesmo que eu estou preocupada com a boca do vaso?... Estou mais preocupado com o maldito verde!" rsrs.

É isso mesmo: EU TENHO PROBLEMAS COM O VERDE! Eu e ele não nos entendemos. Acho que é incompatibilidade de gênio. Perco-me totalmente, erro na mão e o tom desejado simplesmente não sai!

Teoricamente esfria-se um verde com o azul e esquenta-se com o amarelo. Teoricamente. Na prática, a coisa é bem diferente. Pelo menos comigo.

A verdade é que o verde não gosta de mim e trapaceia o tempo todo. Acho que é por isso que quase não pinto paisagens, ainda assim, ele me persegue. Invariavelmente tenho que usá-lo.

entretanto, pretendo continuar insistindo nesse duelo. Que vença o melhor. rsrs


14 comentários:

  1. Sueli, mesmo ensinado arte para nós você arranca risadas! A boca do vaso e o verde que lhe boicota são o máximo! rsrs! Lindo quadro e excelente explicação!
    Ah, você recebeu meu email? Beijocas, Deia.

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  2. Sueli, imagino que aulas de pintura com você devem ser muito gostosas. A gente lendo aqui suas explicações e recomendações se sente íntimo do ofício. Uma hora dessas acabo me arriscando numa tela.rsrs. Um grande. Pbraço. Paz e bem.

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  3. PÔ, kkkkk, bela aula, mas teu marido roubou a cena! E o tal 'clima', pra pintar, amiga? kkkkk assim não dá, Su! Concordo com Cacá, tuas aulas devem ser o máximo: um misto de técnica com comédia. Sacou, amiga? Aula tem de ter 'clima'!!!
    Mas olha...Belo trabalho, mas tá meio difícil de falar sério agora...

    Beijo grande
    Tais luso

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  4. Olá!
    Vim elogiar esta bela pintura e agradecer pelo carinho.
    Agora estou bem melhor! E meu bebê está bem também!
    Bjim

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  5. Olá Sueli!
    Quem sabe, sabe e a mestra acabou de dar a sua lição.Obrigada pela dica de cobrir o fundo da tela. Nunca fiz mas
    é uma óptima ideia.
    Bjs

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  6. Lindo! PARABENS SEMPRE! Aqui a gente sempre deixa muitos sorrisos!

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  7. D. Sueli,
    Mais uma vez obrigada pelas aulas de pintura que nos dá tão generosamente. Tenho aprendido bastante e partilho esses saberes com outras pessoas. Também tenho alguma dificuldade com verdes, mas, sobretudo colocar cor em fundos. Qual a melhor técnica a adoptar? Obrigada pela atenção.

    P.S. e se não for pedir muito não esquecer uma aula sobre marinas.

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  8. P/ Anonimo.

    Primeiramente obrigada pelas palavras, eu que agradeço pelo prestigio!

    Eu, sinceramente me sinto feliz em saber que estou conseguindo compartilhar os meus modestos ensinamentos sobre pintura em telas com os leitores.

    Estou preparando um post com o passo a passo para pintar marinhas. Só peço que aguarde um pouco, pois não sou muito ágil e ando acumulando funções rsrs.

    Quanto a composição do fundo, aqui vai alguns conselhos:

    Primeiramente cubra a tela toda com um fundo médio bem diluído e em seguida, passe um pano limpo que não solte pelos, ou então, um papel toalha para absorver o excesso. Se for uma marinha experimente essa mistura: Azul Cobalto + um pouco de Sombra Natural e Branco para dar uma “acinzentada”. Mas cuidado! Tem que ser um tom médio, nem escuro demais, nem claro demais. Esse fundo prévio é uma ótima base para o céu e a água. Depois trace o desenho e inicie a pintura propriamente dita.

    Se desejar retratar um dia mais nublado, substitua a Sombra Natural por Preto, mas tudo com muito cuidado: vai acrescentando as cores aos poucos.

    Se for uma marinha em pôr do sol, tente a mistura de Laranja de Cádmio + Sombra queimada e uma quantidade mínima de Branco, tudo bem diluído com o médium (50%óleo 50%terebintina).

    Para o fundo definitivo da pintura de naturezas-morta o meu conselho é tratar tudo com pinceladas vigorosas e rápidas e com um pincel bastante grande. Não se esqueça dos contrates tonais de luz e sombra. Não alise muito um fundo e não se preocupe em fundir as cores umas nas outras. Use e abuse dos tons terrosos escuros para a parte sombreada, e dos claros para a luz. Mas tente também os tons frios de verdes e azuis. Dispense por enquanto os tons quentes para o fundo, deixe-os para quando seu senso de composição estiver mais bem desenvolvido. Tons quentes roubam a cena e faz o ponto de interesse desaparecer.

    Seria melhor que vc me contatasse por e-mail e expusesse as suas dúvidas.

    Espero ter ajudado.

    Um beijo enorme.

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  9. Bom dia Sueli.
    Obrigada por me ter respondido tão amável e rapidamente. Estou aprendendo imenso consigo não sabe quanto lhe agradeço a pintura é vida para mim. Também gostaria de contar através de e-mail mas não sei o seu. Quanto às marinas estarei o tempo necessário a aguardar um beijo grande Sueli.

    Margarida Branco

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  10. P/ Anônimo:

    O meu e-mail é: msg2.artes@hotmail.com

    bjos.

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  11. Suuuu queridíssima, mais uma vez estou tentando te enviar um email e, prá variar, volta. É uma coisa de louco mesmo -= acho q não atualizei. Então depois , fala comigo, tá certo? bjssssss

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  12. Que habilidade.
    Parabéns
    Vim até aqui pelo blog do Caca,
    Gostei do que vi, mas também quero convidá-la a compartilhar do relato do Caca- A criança que eu fui, na série no meu blog: pensandoemfamilia.com.br/blog
    Abraços.

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  13. Muito obrigado, Sueli. Que dicas maravilhosas, e raras por aqui.
    Me ensina a pintar os acinzentados nas paisagens, os azulados e esverdeados de cada plano... acho q tô com síndrome-verde tbm.rs... não sei o que usar nas árvores, e fico sem saber como conseguir aqueles tons terrosos e quentes das obras q vejo.

    att
    MarcioCarvalho
    BarreirasBa

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    Respostas
    1. Olá Márcio!!

      Eu que agradeço pelas palavras! Que bom que gostou das dicas, fico feliz.

      Talvez os tons terrosos quentes ao qual se refere (normalmente aparece nas obras dos grandes mestres), tem como cor base a Terra de Siena Queimada: pronta do tubo, ou a mistura de Vermelho de Cádmio + Sombra Queimada que é a mesma coisa. Eu, particularmente prefiro a mistura, assim tenho mais controle sobre o tom e a temperatura. Claro que há variantes quando a cor entra na sobra e na luz, como por exemplo a adição do amarelo para esquentar, o branco para aclarar e esfriar, e até o preto para escurecer. Lembrando que o preto tbm esfria, se deseja um tom escuro e quente, acrescente mais vermelho. Sempre começando com quantidades mínimas. Tudo dependerá do que deseja atingir: uma cor quente, fria, clara, escura e assim por diante.

      Espero ter ajudado.

      Grande beijo
      sg

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Sueli Gallacci